#CharlieHebdo ser ou não ser, eis a questão…

No dia 7 de janeiro deste ano o mundo presenciou uma das maiores tragédias depois do fatídico “11 de setembro” (sim, o MUNDO PRESENCIOU pois acontecem coisas milhões de vezes piores no Oriente Médio, na África, Koréia do Norte, dentre outros, todos os dias e o nosso “mundo ocidental” não fica sabendo… ou finge que não sabe). Três militantes do Estado Islâmico, um dos grupos jihadistas mais extremístas dos últimos tempos, entraram na revista satírica francesa Charlie Hebdo e , aos gritos de “Alahu al akbar” (“Deus é grande”), mataram 12 pessoas e deixaram gravemente feridas outras quatro. A revista é conhecida por publicar sátiras de Maomé (além de personalidades outras religiões).

Mesmo que você não esteja antenado no que ocorreu, com certeza acabou sabendo de uma forma ou outra pois uma onda de comoção tomou conta da internet com hashtags e mensagens de apoio aos integrantes da revista como #JeSusCharlie (nós somos Charlie, em francês). Porém a questão que me chamou mais a atenção (e me inspirou a escrever este post) foi que muitos internautas “cristãos” postaram mensagens do tipo “Eu não sou Charlie”, pois descobriram que a revista não satirizava somente o Islã mas também ícones do cristianismo como a Trindade e etc.

Charlie-Hebdo-anti-Christian-Jan-2015Sinceramente eu fico pensando o que estas pessoas, que se dizem cristãos, tem nas suas respectivas cabeças. Ao ler estas postagens eu só pude imaginar estes autores em três grupos: Primeiro. “Se a revista satirizasse somente o Islã (ou qualquer outra religião, menos o cristianismo), o que ocorreu foi uma verdadeira barbárie. Porém como também satirizaram o cristianismo, foi a mão de Deus”. Segundo. “Não estou nem ai se satirizaram o Islã, pois o que aconteceu foi consequência do que a revista vem fazendo. Mas satirizar o cristianismo não pode, isso é um absurdo!” E terceiro. “Bem feito o que aconteceu… isso é o que dá ficar mexendo com a religião dos outros.”

Independente da real linha de raciocínio destes “seres humanos superiores aos outros”, o que aconteceu foi sim uma barbárie e não existe justificativa alguma pra ter ocorrido! A final de contas, vidas foram ceifadas em nome da religião! (não estou atacando o Islã, muito pelo contrário. Até os próprios muçulmanos tem interpretações diferentes do que seria a “guerra santa” – o que na verdade é um termo pejorativo dado a um dos ensinamentos de Maomé, que em nenhum momento fala sobre “terrorismo em nome de deus” . Por favor leia este artigo pra entender melhor: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jihad)

Voltando aos cristãos que “não são Charlie”, o que a bíblia nos diz a respeito das suas atitudes?

Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 1 João 4:7-8
O ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados. Provérbios 10:12

Logo, se você se encontra em qualquer um destes grupos que citei, você não teve ainda um verdadeiro encontro com Cristo, pois Deus é amor e o nosso dever como cristão é amar uns aos outros como Cristo nos amou. Não me importa se você externou sua compaixão com as vítimas da Charlie Hebdo na internet, o problema é justamente você se dizer “cristão” e, num momento como esse, se colocar contra uma comoção mundial (falando completas besteiras) e não praticando o amor ao próximo.

Outro fato importante à se esclarecer é que a campanha de apoio foi feita às vítimas da tragédia e não em apoio as ideologias da revista ou ao que ela publica. Portanto sair dizendo “eu não sou Charlie” só está reafirmando seu total descrédito as vítimas (ou sua falta de compreensão ao assunto). Dizer que a revista extrapola a liberdade de expressão também é esdrúxulo, uma vez que a nossa cultura é completamente diferente da cultura francesa. E outra: liberdade é isso meu amigo. Se você se acha no direito de ir pra uma praça pública pregar o evangelho também tem que entender que o que as outras pessoas fazem, estão fazendo por exercer o seu direito de liberdade.

Veja essa imagem abaixo que foi compartilhada em redes sociais por um “cristão fundamentalista” que, coitado… não sabe nem escrever a na sua língua pátria:

10922457_666183886826328_751988017942285353_nAo sair “em defesa da causa de Cristo” atacando a revista pelo que ela publica ou as outras pessoas que ofendem a moral cristã, vocês está sendo tão fundamentalista religioso quanto os que praticaram este ato desumano e terrorista. Deus não precisa que nós defendamos seu nome. Paulo fala em Efésios que “a nossa luta não é contra carne e contra o sangue mas contra as potestades e principados do mal”. Em Gálatas Paulo também nos escreve: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Se o ocorrido foi a mão de Deus ou não, isso também não nos diz respeito. A nossa tarefa é somente uma: demonstrar amor ao nosso próximo, demonstrar compaixão com as famílias das vítimas. Não se esqueça que a bíblia também nos orienta a sermos “sal da terra e luz do mundo”, e as pessoas julgam as nossas atitudes. Quer mais um exemplo do seu fundamentalismo religioso? Uma revista católica e um site judeu publicaram charges em apoio as vítimas, ironizando, respectivamente, Jesus e o Papa, e o Holocausto e os judeus (saiba mais aqui).

No fim das contas quem realmente está tendo uma atitude cristã, hein?

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